quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

MEANDROS - o novo livro de Idalina de Carvalho




Com lançamento marcado para o dia 12 de março, "Meandros", o mais novo livro de Idalina de Carvalho, reúne a parte mais sensual de sua obra, com poemas de um erotismo sutil, quase religioso.

Enquanto que "Quase pecado", seu primeiro livro, publicado em 2001, apresentava um surrealismo pontiagudo, quase insano, este segundo livro, embora também carregado de emoções fortes, trata muito mais do prazer que do pecado, mais da alegria que da dor.

Idalina de Carvalho escreve pouco, devido ao exagerado senso crítico, por haver exercido tanto tempo a crítica literária na época em que editava "Pensaminto".

Por influência do poeta concreto Joaquim Branco, desenvolveu o estilo conciso, quase mudo de retratar a vida. Há silêncio em sua poesia.

Com a mestra Lina Tâmega aprendeu a brincar e exercer seu domínio sobre a palavra, fazendo da emoção apenas o tempero dos seus escritos.

"Dama das palavras", é assim que os amigos mais próximos definem Idalina, pela facilidade que ela tem de fazer caber em cada palavra o sentido da própria vida.

"Meandros" é dividido em duas partes: a primeira com poemas e a segunda com os minicontos que, segundo a opinião de alguns, são o ponto forte da obra da autora.


Confira um poema e um miniconto do novo livro:


SILÊNCIO

sim
sou
sua

aquece
sacia
sossega-me o cio

suga
sorve a seiva
dessa sua serva

sobe ao céu
em sussurros
espasmos


sim
sou
sua

MÃE DE FAMÍLIA
os gritos que não que agora não e o fogo esquentando a barriga encostada no fogão e a insistência dele e a comida no fogo, hora do almoço, levar as crianças para a escola e a cozinha desarrumada, pia cheia de vasilhas e não não e não, agora não, e ele invadindo seu espaço, umedecendo sua nuca e ouvidos ofegante em sussurros, e ela perdendo a forças, pernas estremecidas e as mãos dele afrouxando sua saia e ela sem voz em sussurros não por favor não, o almoço, panela fritando arroz, bife na outra trempa, feijão inteiro fervendo, o fogo invadindo toda a cozinha e a mesa posta, as crianças na casa da avó tomando banho, e a comida...
o cheiro de uma comida queimada abolida da condição de ser almoço.
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1 comentários:

Diego Lucas disse...

Com um jeito especial de fazer literatura, você chegou para marcar o nome. Parabéns!