
- Publicitário e poeta, o paranaense Jorge Carrano foi, desde cedo, um observador a serviço da palavra. Morou no Rio de Janeiro, onde participou ativamente de festivais de música e teatro, e também de movimentos de vanguarda que agitaram o meio estudantil da época.
- "A centaura e a esfinge" é o título do livro que o poeta está lançando em 2011, uma reunião de poemas caracterizados por diálogos amorosos com o feminino, onde o poeta é alma ocupando corpos diversos, derramando sensações que arrancam suspiros dos românticos.
- A influência musical imprime um tal ritmo e sonoridade aos poemas, que faz de "A centaura e a esfinge" uma melodia (ou um musical?) dividida(o) em atos, cada um deles contando um caso de amor bem ou mal-resolvido.
- Jorge Carrano reside atualmente na Bahia. Saiba mais sobre ele, visitando seu blog: www.rasgaraalma.blogspot.com
- ANALOGIA
Gosto...
gosto muito
de te ver dormir.
Pele, seda de lingerie,
brisa sobre pêlos, e te cobrir.
Gosto...
gosto muito
de te guardar
o sono, o sonho, o acordar,
o cheiro da noite passada,
um cheiro do amor,
um gosto de amar.
Gosto...
melhor,
quero muito te revelar.
O quanto meus olhos são espelho
quando te vêem dormir
e tranqüilizam minh’alma,
até o outro dia,
quando te vêem acordar.
do gosto de brincar,
do teu cheiro de fêmea,
da cama que sempre cheia
como a lua, embriaga e sacia
com todo esse jeito de amar.
***
ENTARDECER
Esse facho de luz do fim da tarde
Que, certeiro, descobre e invade
essa tênue pele - seda dourada.
Essa luz rebatida no seu doce corpo alado,
nesse silêncio combinado
em que descansas à exaustão.
Esse teu sorriso criança.
Ah, como me embriaga esse colo menino,
com traços sutis de pecado,
vou roubar essa visão!
Decolo em total turbulência,
sou escravo!
Essa beleza, sua presença.
Esses longos pêlos de deusa,
que me invadem moleques,
as faces do entardecer.
***
LUAS GÊMEAS
Gêmeas.
Soberbas delícias
que da alma às vísceras,
trazem arfantes
gritos!
Rios que desaguam férteis
correndo nos ventres
que se encontram
aflitos!
Peles,
ventos de arrepio,
poros, pelos, suores
sussurros de calafrio.
Seu curso vindo
enxurrado,
vivo de carícias
teus corpos macios.
Belas de todas as tardes
de todas as luas,
pungentes,
num momento único.
De larvas...
macio!
2 comentários:
Vi no seu perfil o interesse por literatura, por isso deixo aqui o convite para que aceda ao meu blog. Talvez goste. Abraço.
Parabens pelo blog, é ótimo! Fique à vontade para visitar meu blog. há postagens que talvez te interessarão, pois seu "gosto" pela literatura é refinado. Talvez o postagem "nova poesia marginal" lhe será util
http://semioticaeminimalismo.blogspot.com/
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